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quinta-feira, 30 de outubro de 2008
SAGRADO CORAÇÃO DA TERRA
"Perto de Corumbá, a poucos quilómetros da fronteira com a Bolívia, o rio Paraguai é um imenso manto de água onde se espelha, em pleno Agosto, o céu azul da estação seca. No momento do crepúsculo, o horizonte parece cobrir-se de pinceladas de fogo e uma intensa cor vermelha derrama-se pelas águas do grande rio, o maior e mais largo de toda a região.
Alimentado pela corrente de uma infinidade de cursos de água como os rios Miranda e Abobral, que a ele se juntam nas imediações de Corumbá, o rio Paraguai atravessa uma grande parte do Pantanal.
A região tem características geográficas muito especiais, com pouco declive e ciclos climáticos de fortes chuvas, que caem com mais intensidade entre Dezembro e Março. A imensa área alagada chega a atingir os 230 mil quilómetros quadrados e os seus milhares de braços de água ajudam também a engrossar o caudal do Paraguai. As primeiras chuvas chegam com os meses de Outubro e Novembro. O calor e a humidade são outros ingredientes da estação, incómodos quanto baste, mas são sobretudo os mosquitos a causa fundamental de pulverização da paciência do viajante.
Em pleno mês de Julho, adiantada já a estação seca, o pequeno bimotor que traz desde Campo Grande, a capital do Estado do Mato Grosso do Sul, desce sobre a pista molhada de Corumbá. A manhã está fria e cinzenta, tolhida por uma persistente chuva miudinha que faz lembrar o Inverno europeu. Serão, todavia, águas de pouca dura. Nos dias seguintes o sol há-de irradiar uma luz tropical sobre toda a região."
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