25 Janeiro 2010 - 00h30
Estado do Sítio,CM
Estamos salvos
É por estas e por outras que a política e os políticos estão
desacreditados, o regime está podre e o futuro será pior do que o
presente.
Aleluia! Paulo Portas anunciou ontem solenemente que o CDS vai
abster-se na votação do Orçamento do Estado. As razões são
patrióticas. Não quer deixar o País sem o precioso documento e sem o
inimitável Governo do senhor presidente relativo do Conselho. A Pátria
e os indígenas, que andavam ontem pelos centros comerciais a fazer
mais umas comprinhas nos saldos, agradecem penhoradamente este notável
sacrifício do CDS. Enquanto isto, sacrificando um merecido domingo de
descanso, Manuela Ferreira Leite esteve reunida com o ministro das
Finanças do Governo do senhor presidente relativo do Conselho.
A Pátria e os indígenas que enchiam as estradas do sítio esperaram com
enorme ansiedade o desfecho de tão importante encontro. Ao fim de
algumas horas, com o coração suspenso e os carros parados, ouviram a
ainda líder do PSD afirmar, com ar convicto, que tinha recebido sinais
muito positivos do senhor que está nas Finanças até vagar o lugar
ocupado pelo seu amigo Constâncio no Banco de Portugal. É evidente que
os tais sinais ficaram no segredo dos deuses, mas, seja como for, a
Pátria e os indígenas respiraram de alívio. O Orçamento do Estado tem
passagem garantida na Assembleia da República e o Governo do senhor
presidente relativo do Conselho não se demite. Por tabela, os
indígenas não vão ser obrigados, mais uma vez, ao penoso exercício de
votarem e assim estragarem mais um domingo que deve ser passado,
religiosamente, num qualquer centro comercial ou hipermercado.
Com a Pátria sossegada e o senhor Presidente da República feliz com o
resultado das negociações, o sítio volta à normalidade. Isto é,
continua pobre, deprimido, hipócrita, manhoso, irresponsável e,
obviamente, cada vez mais mal frequentado. Com ou sem Orçamento, com
ou sem o Governo do senhor presidente relativo do Conselho, a maldita
realidade começa a impor-se cada vez mais e os seus efeitos vão
sentir-se, mais tarde ou mais cedo, de uma forma brutal e implacável
na vidinha dos indígenas. Com ou sem Orçamento, com ou sem o Governo
do senhor presidente relativo do Conselho, o facto é que o sítio está
sob vigilância externa, endividado até aos cabelos, com as contas
públicas descontroladas e o desemprego em níveis nunca antes
verificados. É por estas e por outras que a política e os políticos
estão desacreditados, o regime está podre e o futuro será pior do que
o presente. Mas, para já, estamos salvos.
António Ribeiro Ferreira, Jornalista
...(são artistas portugueses e eles pertencem ao meu circo!!)
Sem comentários:
Enviar um comentário