quinta-feira, 3 de julho de 2014



(...) Lentamente, nesta noite, abro o caderno numa página à sorte. Respiro fundo, sentindo a brisa que sopra do mar, e o roxo desmaiado em que se torna a morte do sol e a vinda de mais uma noite. Baixo os olhos para as páginas mágicas que tenho no regaço e leio:
“ Não há dia, não há noite, não há hora em que eu esqueça o sabor dos teus beijos. Talvez um dia, meu amor, daqui a meses ou a anos, quando estiveres menos mergulhada nesse horror a que se chama vida diária; quando viveres a tua vida com mais urgência, porque a morte já ronda e espreita ali à esquina; quando desejares ter mais anos e eles tos são negados. Talvez nesse dia alcances totalmente aquilo que senti-desejei-e tive a sorte de poder viver um pouco.” "



in "Anatomia de um Amor"

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